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Equilíbrio Possível

  • Foto do escritor: Dr. João Herck
    Dr. João Herck
  • 15 de jul. de 2020
  • 2 min de leitura

Atingir os mais altos fins da existência. Hahnemann coloca isto como objetivo e possibilidade num indivíduo que se direciona à cura. Quando estamos desequilibrados, este objetivo parece longe, inalcançável. A doença deturpa os sentidos, as vontades, o discernimento e como consequência as escolhas.

O mundo parece mais difícil no sofrimento. Tudo que nos rodea parece que está ruim, fora do lugar, inaceitável. Procuramos justificativas (e soluções) externas para nossa condição sofrida. Tentamos achar culpados externos para nos sentir melhor; “afinal como poderia eu, uma pessoa boa, estar nesta situação”. Achamos que finalmente descobrimos as causas quando apontamos como o mundo está ruim, todos os problemas pessoais, discussões, trabalho estressante, pouco reconhecimento, perdas, problemas de relacionamento, vírus, fungos, poeira, lactose, glúten...

Projetamos soluções em coisas que agravam a situação. Forma-se um ciclo: sofrimento, desejos e ações desequilibradas, agravação do estado doente. Esperamos em geral soluções pontuais, externas, para cada problema que surge. Compartimentamos e segmentamos cada sensação, cada sintoma, separamos e dividimos o indivíduo. Queremos eliminar as possíveis causas externas para cada coisa que sentimos, como se fossem independentes. Olhamos para fora, procuramos culpados.

Buscamos caminhos de alívio, porém cada vez mais desconectados de nós mesmos. Sempre em busca de estímulos neurossensoriais externos. Ao acordar pegamos o celular, procuramos novidades, reconhecimento em redes sociais, tomamos um analgésico. Existe uma urgência de preenchimento de cada segundo do dia com passatempos, enquanto reclamamos de falta de tempo. Adoecemos e muitas vezes não percebemos. Temos dificuldade de sentir, de discernir cada sintoma, cada sensação. Não admitimos “perder tempo” sentindo algo, queremos nos sentir anestesiados cada vez mais. Voltamos a olhar para o estímulo externo como salvação. Queremos eliminar logo a tristeza, o tédio, a bactéria, a dor, ou a insônia. Tomamos os anti-depressivos, antibióticos, analgésicos, “anti-insônias”, os “anti-tédios” (internet, séries, drogas etc).

As soluções vendidas para os sofrimentos são incessantemente propagandeadas como coisas materiais, prazeres ou reconhecimentos por algo que possamos parecer ser. Nunca temos, somos, ou parecemos ser o bastante. Às vezes conseguimos o que queríamos, um carro novo, ou eliminar uma bactéria no estomago. Pouco tempo depois a insatisfação volta, o sintoma retorna, ou aparece um novo. Não nos damos conta das inter-relações internas, da interdependência de cada parte do organismo e com o meio externo.

Os resultados não têm sido muito bons. Existe uma epidemia de doenças mentais, doenças crônicas, de suicídio, de drogadição, de insatisfação, independente das classes sociais. A tentativa de suprimir (esconder) cada sintoma faz aprofundar a doença e aumentar a dependência por medicamentos. A dependência em geral é antagônica à liberdade.

Quem sabe possamos parar, respirar e olhar um pouco mais para dentro. Observar o modo que ocorre o conjunto de sensações e sintomas físicos e mentais. Equilibrar o “terreno” em sua totalidade. Cuidar do organismo e buscar um caminho de tratamento “de dentro para fora”.

O “mundo interno” determina o modo de ver, sentir, pensar, querer e agir no “mundo externo”. A imunidade, a satisfação e a liberdade vêm de dentro.

 
 
 

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